Silagem de grão reidratado traz maior aproveitamento deste alimento - Digital Balde Branco
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Tecnologia que proporciona maior aproveitamento do amido do milho pelas vacas leiteiras

NUTRIÇÃO

SILAGEM DE GRÃO REIDRATADO

traz maior aproveitamento deste alimento

Para ampliar os conhecimentos dessa tecnologia, a Epamig, em parceria com o prof. Marcos Neves Pereira, da Ufla, realiza uma série de estudos para tornar viáveis formas mais nutritivas e econômicas de processar e armazenar o milho nas fazendas 

João Antônio dos Santos

“A sila­gem de milho rei­dra­ta­do sur­ge como uma tec­no­lo­gia ino­va­do­ra de con­ser­va­ção do grão moí­do, por meio da ensi­la­gem, para ser uti­li­za­do em die­tas de vacas lei­tei­ras. O pro­ces­so con­sis­te basi­ca­men­te na rei­dra­ta­ção do grão de milho moí­do, segui­do por con­ser­va­ção na for­ma de sila­gem”, expli­ca Rena­ta Apo­calyp­se, pes­qui­sa­do­ra da Epa­mig, infor­man­do que, dada a gran­de impor­tân­cia des­sa tec­no­lo­gia, a Empre­sa de Pes­qui­sa Agro­pe­cuá­ria de Minas Gerais (Epa­mig), em par­ce­ria com o pro­fes­sor da Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Lavras (Ufla), Mar­cos Neves Perei­ra, rea­li­za uma série de estu­dos para tor­nar viá­veis for­mas mais nutri­ti­vas e econô­mi­cas de pro­ces­sar e arma­ze­nar o milho nas fazendas.

Na ali­men­ta­ção das vacas lei­tei­ras, o milho entra como um dos prin­ci­pais ingre­di­en­tes da die­ta, garan­tin­do apor­te de ener­gia para os ani­mais. Porém, ao con­trá­rio do que ocor­re em outros paí­ses com o cul­ti­vo do milho fari­ná­ceo, no Bra­sil é cul­ti­va­do o milho duro, como obser­va o pro­fes­sor Perei­ra, da Ufla, o qual se carac­te­ri­za por sua alta vitri­o­si­da­de, o que sig­ni­fi­ca que tem bai­xa digestibilidade.

Para supe­rar tal limi­ta­ção des­se ingre­di­en­te tão impor­tan­te na die­ta, vem sen­do uti­li­za­da cada vez mais a tec­no­lo­gia de ensi­la­gem do grão madu­ro moí­do e rei­dra­ta­do, que pro­pi­cia melhor fer­men­ta­ção rumi­nal, o que traz bene­fí­ci­os para a digestibilidade.

A tec­no­lo­gia vem sen­do ado­ta­da cada vez mais tan­to por gran­des quan­to por peque­nos pro­du­to­res. Tem apli­ca­bi­li­da­de não só nutri­ci­o­nal, mas tam­bém como opção de bai­xo cus­to para arma­ze­na­men­to do grão na fazen­da, nota o pro­fes­sor Mar­cos Pereira.

Para pequenas propriedades esse tipo de silo é prático e resolve muito bem as necessidades do produtor

Segun­do Rena­ta, da Epa­mig, a sila­gem de milho rei­dra­ta­do é uma for­ma bara­ta de arma­ze­na­men­to do pro­du­to. Ela des­ta­ca que o pro­du­tor pode com­prar milho quan­do o pre­ço do cere­al esti­ver mais bai­xo no mer­ca­do. Além dis­so, a esto­ca­gem do mate­ri­al nas fazen­das dis­pen­sa os altos cus­tos com gal­pões ou silos de ter­cei­ros e eli­mi­na as per­das por ata­que de pra­gas, como carunchos.

“Estu­dos com sila­gem de milho rei­dra­ta­do ofe­re­ci­da a ani­mais espe­ci­a­li­za­dos, como vacas holan­de­sas gene­ti­ca­men­te melho­ra­das para pro­du­ção de lei­te, mos­tra­ram efi­ci­ên­cia da die­ta ali­men­tar. O aumen­to da diges­ti­bi­li­da­de do milho que ocor­re duran­te o pro­ces­so per­mi­te a mes­ma pro­du­ção de lei­te com cus­to ali­men­tar mais bai­xo”, expli­ca.

Rena­ta res­sal­ta que se tra­ta de uma for­ma bara­ta de ensi­la­gem do milho bas­tan­te aces­sí­vel aos peque­nos pro­du­to­res. “Além dis­so, a opor­tu­ni­da­de de com­pra estra­té­gi­ca na épo­ca da safra, quan­do o pre­ço no mer­ca­do é mais bai­xo”, diz, acres­cen­tan­do que os pro­du­to­res com limi­ta­ção de área para o cul­ti­vo do milho tam­bém podem se bene­fi­ci­ar com o uso des­sa tec­no­lo­gia. Ou seja, não pri­va­rá seus ani­mais des­se ali­men­to de alto valor nutri­ci­o­nal. Sem con­tar ain­da que não pre­ci­sa­rá de ins­ta­la­ção ade­qua­da para arma­ze­nar o grão, que é sus­ce­tí­vel ao ata­que de pra­gas, como o carun­cho, por exem­plo. E, no fim, o aumen­to da diges­ti­bi­li­da­de do milho, que ocor­re duran­te esse pro­ces­so, pro­por­ci­o­nan­do mai­o­res pro­du­ções de lei­te ao mes­mo custo.

Renata Apocalypse: o aumento da digestibilidade do milho que ocorre durante o processo permite a mesma produção de leite com custo alimentar mais baixo

Para o peque­no pro­du­tor, por exem­plo, a pos­si­bi­li­da­de de bai­xar o cus­to de arma­ze­na­men­to na fazen­da (sila­gem) traz uma série de bene­fí­ci­os, como a redu­ção na mão de obra e ener­gia elé­tri­ca no pro­ces­so de moa­gem com­pa­ra­do a moa­gem fina de milho madu­ro, ganho na diges­ti­bi­li­da­de do ami­do em grãos de milho com tex­tu­ra dura do endos­per­ma (pre­va­len­tes no Brasil).

A pes­qui­sa­do­ra nota ain­da que peque­nos pro­du­to­res têm uti­li­za­do reci­pi­en­tes plás­ti­cos para fazer sua sila­gem. “Para pro­du­to­res mui­to peque­nos é uma for­ma ade­qua­da de arma­ze­na­men­to. A per­da duran­te a ensi­la­gem é pró­xi­ma de zero. Entre­tan­to, o cus­to por uni­da­de arma­ze­na­da pode ser alto. Um silo tipo trin­chei­ra ou ‘bag’ seria mais bara­to que o tam­bor para volu­mes mai­o­res de arma­ze­na­men­to”, observa.

O silo tipo trin­chei­ra é o mais comum. A pes­qui­sa­do­ra nota que é impor­tan­te fri­sar que o grão rei­dra­ta­do e ensi­la­do tem den­si­da­de pró­xi­ma de 900 kg/m3. O gas­to na fazen­da tam­bém é bai­xo, por ser um con­cen­tra­do. Logo, os silos devem ser peque­nos para pro­pi­ci­ar uma des­car­ga de pelo menos 20 cm da face por dia (como qual­quer silagem).

“Como o cus­to do ali­men­to é alto (con­cen­tra­do) e o tama­nho do silo é peque­no, jus­ti­fi­ca inves­tir em silos melho­res e con­cre­ta­dos ou total­men­te for­ra­dos com lona. 

O uso de tambores é viável para propriedades muito pequenas

Vacas consumindo a dieta total com silagem de grão reidratado

O intui­to é redu­zir a per­da de maté­ria seca nas bor­das duran­te a ensi­la­gem”, expli­ca, acres­cen­tan­do que tam­bém se jus­ti­fi­ca o uso de ino­cu­lan­tes micro­bi­a­nos na sila­gem e o uso de lona imper­meá­vel a oxi­gê­nio para veda­ção. “Este tipo de sila­gem paga mais o inves­ti­men­to no arma­ze­na­men­to que uma sila­gem de for­ra­gem, por exem­plo, já que for­ra­gens têm menor valor por uni­da­de de ali­men­to que concentrados.”

For­mu­la­ção da die­ta – Sila­gem da plan­ta intei­ra de milho e sila­gem do grão rei­dra­ta­do. Qual usar? Rena­ta expli­ca que a pri­mei­ra é for­ra­gem, já a segun­da é con­cen­tra­do ener­gé­ti­co. Elas não são exclu­den­tes. O pro­du­tor e o téc­ni­co em nutri­ção é que devem deci­dir o que usar, de modo a equi­li­brar a die­ta. “A inclu­são depen­de da die­ta sen­do for­mu­la­da e do que se bus­ca de teor de ami­do na die­ta. Ambas as sila­gens con­têm ami­do de alta diges­ti­bi­li­da­de devi­do à que­bra das pro­la­mi­nas do milho duran­te a ensi­la­gem.”

Com essa sila­gem de grão rei­dra­ta­do, espe­ra-se ganho de efi­ci­ên­cia ali­men­tar. Ou seja, mais lei­te por uni­da­de de con­su­mo, não neces­sa­ri­a­men­te mais lei­te por vaca. Tira-se o mes­mo lei­te com a vaca comen­do menos. Pode ocor­rer mais lei­te por vaca se a die­ta ante­ri­or não esti­ves­se ade­qua­da­men­te for­mu­la­da. “O milho rei­dra­ta­do for­ça a entra­da de cál­cu­lo de die­ta na fazen­da, pois é um con­cen­tra­do ener­gé­ti­co que exi­ge suple­men­ta­ção com con­cen­tra­do pro­tei­co. Fazer o cál­cu­lo cor­re­to da die­ta aumen­ta o lei­te em fazen­da que não faz cál­cu­lo de die­ta. Mai­or van­ta­gem é redu­ção de cus­to, mai­or que o ganho em pro­du­ção ou efi­ci­ên­cia ali­men­tar”, assi­na­la a pesquisadora.

Inoculantes para ajudar na qualidade da silagem

 

De for­ma geral, o uso da sila­gem de milho rei­dra­ta­do vem ganhan­do espa­ço nas fazen­das lei­tei­ras do Bra­sil, pelas van­ta­gens que apre­sen­tam em ter­mos de cus­tos e tam­bém pelos ganhos nutri­ci­o­nais obti­dos duran­te o perío­do de fer­men­ta­ção, assi­na­la Mateus Cas­ti­lho San­tos, enge­nhei­ro agrô­no­mo, dou­tor em Ciên­cia Ani­mal e Geren­te Téc­ni­co da Lal­le­mand para Amé­ri­ca do Sul, acres­cen­tan­do que entre as fer­ra­men­tas dis­po­ní­veis para con­tri­buir com o pro­ces­so de con­ser­va­ção está o uso de ino­cu­lan­tes micro­bi­a­nos como melho­ra­do­res das fer­men­ta­ções des­se tipo de silagem.

Ele expli­ca que entre as diver­sas opções de bac­té­ri­as exis­ten­tes, os ino­cu­lan­tes à base de Lac­to­ba­cil­lus buch­ne­ri geram o áci­do acé­ti­co duran­te o perío­do fer­men­ta­ti­vo, que ini­be o cres­ci­men­to dos prin­ci­pais micror­ga­nis­mos dete­ri­o­ra­do­res des­sas sila­gens, como mofos e leve­du­ras. “A ini­bi­ção des­ses micror­ga­nis­mos é bené­fi­ca para a qua­li­da­de da sila­gem, pois reduz o aque­ci­men­to da mas­sa, aumen­tan­do sua esta­bi­li­da­de aeró­bia e melho­ran­do o valor nutri­ti­vo des­se ali­men­to, que será ofer­ta­do aos ani­mais”, diz.

Para a obten­ção de res­pos­tas con­sis­ten­tes, San­tos obser­va ain­da que a dosa­gem ide­al de ino­cu­la­ção com L. buch­ne­ri deve ser de pelo menos 100 mil uni­da­des for­ma­do­ras de colô­ni­as (ufc)/g de for­ra­gem, con­for­me evi­den­ci­a­do em dados obti­dos em tra­ba­lhos cien­tí­fi­cos. “Isso foi ava­li­a­do em uma meta-aná­li­se por Kleins­ch­mit & Kung (2006) e tam­bém pela EFSA (Euro­pe­an Food Safety Autho­rity) em 2013”, infor­ma, acres­cen­tan­do que além do efei­to do Lac­to­ba­cil­lus buch­ne­ri no con­tro­le dos prin­ci­pais micror­ga­nis­mos dete­ri­o­ra­do­res de sila­gens de grãos, estu­dos recen­tes mos­tram que essa bac­té­ria tam­bém apre­sen­tou efei­tos posi­ti­vos na diges­ti­bi­li­da­de ruminal.

Segundo Mateus C. Santos, a bactéria L. buchneri inibe microrganismos deterioradores da silagem e contribui para sua qualidade

Ele cita ain­da um estu­do con­du­zi­do pela APTA-Secre­ta­ria de Abas­te­ci­men­to do Esta­do de São Pau­lo, uni­da­de de Coli­na, em que o Lac­to­ba­cil­lus buch­ne­ri se mos­trou mais efi­caz do que outras bac­té­ri­as para melho­rar a degra­da­bi­li­da­de rumi­nal do grão reidratado.

Nes­se tra­ba­lho publi­ca­do por Da Sil­va et al., (2018), os auto­res mos­tra­ram que a sila­gem de grão de milho rei­dra­ta­do sem ino­cu­la­ção teve uma degra­da­ção em tor­no de 79% da MS, enquan­to na ino­cu­la­ção com a dosa­gem de 100.000 ufc/g de Lac­to­ba­cil­lus buch­ne­ri esse valor foi de 83,6%. “Com­pa­ran­do esta últi­ma bac­té­ria com a sila­gem con­tro­le, seria um aumen­to de 5,8% na degra­da­bi­li­da­de rumi­nal. Fazen­do uma con­ta bem sim­ples com base nos resul­ta­dos des­se estu­do, por exem­plo, para uma vaca com inges­tão de apro­xi­ma­da­men­te 5 kg de sila­gem de milho rei­dra­ta­do, pode-se espe­rar uma eco­no­mia de cer­ca de 290 gra­mas de milho/vaca/dia, o que equi­va­le a uma saca para cada tone­la­da de grão rei­dra­ta­do armazenada”.

Ele con­clui obser­van­do que, assim, é pos­sí­vel demons­trar que além da melhor esta­bi­li­da­de aeró­bia, o uso de L. buch­ne­ri aumen­ta a degra­da­ção des­sa sila­gem den­tro do rúmen do ani­mal. “Con­si­de­ran­do os cus­tos que o milho está no mer­ca­do atu­al, é fácil fazer as con­tas e ver que o retor­no do inves­ti­men­to des­se tipo de ino­cu­lan­te é mui­to positivo”.

Produção de silagem de grão reidratado


Segun­do reco­men­da­ções da Cir­cu­lar Téc­ni­ca 187, da Epa­mig, sobre a sila­gem de grão rei­dra­ta­do, o pro­du­tor em pri­mei­ro lugar pre­ci­sa cal­cu­lar o volu­me de con­su­mo do milho na die­ta dos ani­mais para então dimen­si­o­nar o tama­nho do silo. Algu­mas reco­men­da­ções da CT 187:

É impor­tan­te que seja reti­ra­da uma fatia diá­ria de, no míni­mo, 15 cm de espes­su­ra, redu­zin­do a expo­si­ção ao ar e con­se­quen­tes per­das. Con­si­de­ran­do um silo de 1 metro de altu­ra por 1 metro de lar­gu­ra e den­si­da­de média de 900 kg/m3, uma fatia diá­ria reti­ra­da de 15 cm cor­res­pon­de a 135 kg de sila­gem de grão reidratado.

Caso a quan­ti­da­de diá­ria seja menor, deve-se, pro­por­ci­o­nal­men­te, redu­zir as dimen­sões do silo, adequando‑o à neces­si­da­de da fazen­da. O com­pri­men­to do silo depen­de da cama­da de cor­te e do núme­ro de dias de uti­li­za­ção, por exem­plo: con­si­de­ran­do uma cama­da de cor­te de 15 cm e 180 dias de uti­li­za­ção, o silo deve­rá ter 27 m de com­pri­men­to (1 m x 1 m x 27 m), que é igual a 27 m³, com capa­ci­da­de de esto­ca­gem de, apro­xi­ma­da­men­te, 24 tone­la­das de milho.

PRE­PA­RA­ÇÃO E ENSILAGEM

Moa­gem – A moa­gem pode ser fei­ta uti­li­zan­do diver­sos equi­pa­men­tos, de acor­do com o volu­me a ser ensi­la­do. O tri­tu­ra­dor de grãos, ali­men­ta­do por um sis­te­ma de ros­ca sem fim (chu­pim), é ide­al para silo peque­no a médio. Para silos mai­o­res, o milho moí­do pode ser mis­tu­ra­dor de alimentos.

Hidra­ta­ção – O pon­to cha­ve da sila­gem de milho rei­dra­ta­do é a cor­re­ção da maté­ria seca. O milho que será ensi­la­do tem, no pon­to de arma­ze­na­gem, 12% de umi­da­de e deve­rá atin­gir 35% de umi­da­de, quan­do ensi­la­do. Esse valor de hidra­ta­ção é neces­sá­rio para óti­ma fer­men­ta­ção e esto­ca­gem do mate­ri­al.
A adi­ção de água no milho pode ser fei­ta adap­tan­do-se uma man­guei­ra na par­te infe­ri­or do tri­tu­ra­dor de grão, com furos ou asper­so­res em for­ma de leque, de modo que o milho recém-moí­do rece­ba água o mais uni­for­me­men­te pos­sí­vel. A quan­ti­da­de de água neces­sá­ria para rei­dra­ta­ção do milho é em tor­no de 35 litros de água para cada 100 kg de milho moí­do. A for­ma de acom­pa­nhar a vazão de água é cro­no­me­trar o tem­po neces­sá­rio para a moa­gem de 100 kg de milho e o volu­me de água que cair duran­te o mes­mo inter­va­lo de tem­po (35 litros/100 kg de milho). Exem­plo: supon­do que foi fei­ta a moa­gem, de 100 kg de milho em 2 minu­tos, então a vazão da água nes­ses mes­mos 2 minu­tos deve ser de 35 litros. O obje­ti­vo é obter um milho moí­do rei­dra­ta­do com umi­da­de entre 30% e 40%.

Com­pac­ta­ção e veda­ção – A dis­tri­bui­ção do milho pre­vi­a­men­te moí­do e rei­dra­ta­do no silo pode ser fei­ta com auxí­lio de rodos, car­ri­nhos de mão, tra­ção ani­mal ou mes­mo tra­to­res aco­pla­dos às lâmi­nas no caso de silos mai­o­res. Duran­te o pro­ces­so de con­fec­ção da sila­gem é impor­tan­te com­pac­ta­ção cons­tan­te, obje­ti­van­do reti­rar o ar da mas­sa ensi­la­da.
O car­re­ga­men­to do silo deve­rá ser fei­to em cama­das incli­na­das, do fun­do para a boca do silo, dimi­nuin­do, assim, a área de super­fí­cie da sila­gem em con­ta­to com o ar. O tem­po de enchi­men­to do silo deve ser o mais rápi­do pos­sí­vel, de um a dois dias. Ime­di­a­ta­men­te ao enchi­men­to, deve-se pro­ce­der à cor­re­ta veda­ção do silo com lonas pró­pri­as (dupla face). A rápi­da con­fec­ção e o fecha­men­to do silo garan­tem meno­res per­das decor­ren­tes de fer­men­ta­ções inde­se­ja­das, por cau­sa da expo­si­ção ao oxigênio.

Ino­cu­lan­tes – A uti­li­za­ção de ino­cu­lan­tes espe­cí­fi­cos para sila­gem de grão úmi­do auxi­lia na qua­li­da­de da sila­gem, pois melho­ra o pro­ces­so fer­men­ta­ti­vo. Os micror­ga­nis­mos usa­dos nos adi­ti­vos comer­ci­ais são Lac­to­ba­cil­lus spp, Pro­pi­o­ni­bac­te­rium aci­di­pro­pi­o­ni­ci, Ente­ro­coc­cus fae­cium e Pedi­o­coc­cus spp. A for­ma de apli­ca­ção do ino­cu­lan­te pode ser variá­vel (rega­dor, asper­sor ou diluí­do dire­to na água de hidra­ta­ção), o impor­tan­te é que toda a mas­sa ensi­la­da rece­ba a solu­ção uni­for­me­men­te. Cui­da­dos espe­ci­ais devem ser toma­dos, como não uti­li­zar água clo­ra­da ou con­ta­mi­na­da na dilui­ção e man­ter o ino­cu­lan­te em tem­pe­ra­tu­ra ade­qua­da, de acor­do com as reco­men­da­ções do fabricante.

Desa­bas­te­ci­men­to e uso – O tem­po reco­men­da­do de ensi­la­gem é de três a qua­tro meses, sen­do duas sema­nas o tem­po míni­mo neces­sá­rio para esta­bi­li­za­ção da fer­men­ta­ção. Duran­te o desa­bas­te­ci­men­to, as fati­as deve­rão ser reti­ra­das de manei­ra uni­for­me, res­pei­tan­do a cama­da míni­ma diá­ria de cor­te de 15 cm, reco­lo­can­do a lona sobre a boca do silo (pai­nel).

 

* A CT 187 está dis­po­ní­vel em: https://www.epamig.br, Publicações/Publicações). Depar­ta­men­to de Infor­ma­ção Tecnológica

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