Silo fechado. E agora? - Digital Balde Branco

Para a garan­tia de uma boa sila­gem de milho, os tra­ba­lhos não ter­mi­nam com o fecha­men­to do silo; para essa boa qua­li­da­de che­gar ao cocho são pre­ci­sos ain­da cer­tos cuidados

Por João Antô­nio dos Santos

Se o pro­du­tor pen­sa que, depois de todo o inves­ti­men­to e da tra­ba­lhei­ra para colher o milho, trans­por­tar a mas­sa ver­de, en­cher, com­pac­tar e vedar o silo, o pro­ces­so se con­clui com um belo chur­ras­co com pes­so­al que deu duro, está mui­to enga­na­do. Não é só espe­rar o momen­to de abri-lo. Pro­du­zir sila­gem é um pro­ces­so lon­go, que só ter­mi­na com a últi­ma por­ção que é reti­ra­da do silo, con­for­me diz Rafa­el Ama­ral, enge­nhei­ro agrô­no­mo espe­cializado em pro­du­ção de sila­gem. “A impor­tân­cia da ges­tão do silo, seu moni­to­ra­men­to de todo o pro­ces­so, é que na pró­xi­ma pro­du­ção de sila­gem o pro­du­tor terá dados para evi­tar que se repi­tam os mes­mos erros, danos, com­pro­me­ti­men­to da qua­li­da­de do ali­men­to e, obvi­a­men­te, pre­juí­zos ocor­ri­dos na pro­du­ção ante­ri­or. A ges­tão cor­re­ta per­mi­te o aper­fei­ço­a­men­to con­tí­nuo da pro­du­ção de silagem”.

“Depois de fechar o silo, tan­to do pon­to de vis­ta econô­mi­co como da qua­li­da­de da sila­gem, os cui­da­dos com ele não param por aí”, refor­ça Ama­ral, que é geren­te de Nutri­ção para a Amé­ri­ca Lati­na da DeLa­val e ide­a­li­za­dor do canal no You­tu­be Doc­tor Sila­ge. Ele, que dis­cor­reu sobre “Indi­ca­do­res de desem­pe­nho para a pro­du­ção de sila­gem de alta qua­li­da­de”, no even­to “Medir para ge­renciar”, do Esalq­Lab, res­sal­ta que o pro­du­tor pre­ci­sa ter cons­ci­ên­cia de que a pro­du­ção de sila­gem é um pro­ces­so bas­tan­te lon­go, quan­do se quer fazer uma ges­tão efi­ci­en­te para ter suces­so na pro­du­ção des­te alimento.

O tra­ba­lho de produ­ção de sila­gem se ini­cia com o pre­pa­ro do solo na épo­ca cer­ta do plan­tio do milho, de acor­do com a região onde se loca­li­za. Depois de 120 dias, perío­do em que se fazem os tra­tos da lavou­ra – apli­ca­ções de adu­bo, her­bi­ci­da, entre outros –, colhe-se então a plan­ta e faz-se a ensi­la­gem. É um tra­ba­lho estres­san­te na proprie­dade, pois tem de con­cen­trar toda a ati­vi­da­de e mão de obra para con­cluir num pra­zo cur­to. Afi­nal, como tem­po é dinhei­ro, ele não pode se esque­cer de que o inves­ti­men­to em cada 50 ha de cul­ti­vo de milho gira em tor­no de R$ 200 mil.

Veda­do o silo, come­ça nova eta­pa no inte­rior do silo: o pro­ces­so de fer­men­ta­ção que irá trans­for­mar todo aque­le mate­ri­al em ali­men­to de qua­li­da­de para o gado. Esse pro­ces­so demo­ra um deter­mi­na­do tem­po (por vol­ta de 30 dias) para esta­bi­li­zar a sila­gem, quan­do então o ali­men­to já pode ser for­ne­ci­do ou conserva­do por lon­go perío­do. Em algu­mas pro­pri­e­da­des, o silo é aber­to depois de 180 dias, enquan­to em outras, isso pode acon­te­cer bem antes, de acor­do com a neces­si­da­de de pro­ver o ali­men­to aos animais.

Nes­te pon­to, Ama­ral des­ta­ca que uma das pri­mei­ras falhas é o pro­du­tor não se dar con­ta de que o pro­ces­so ain­da não aca­bou. “Para mim, este pro­ces­so só ter­mi­na quan­do aca­ba a sila­gem no silo. A sila­gem pron­ta ain­da é ali­men­to pas­sí­vel de ser deteriora­do. Por isso, é pre­ci­so estar aten­to a todos os deta­lhes para asse­gu­rar a qua­li­da­de des­te ali­men­to até che­gar à boca do animal”.

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Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 640, de mar­ço 2018

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