Sistema Agroflorestal conserva áreas de caívas e aumenta produtividade leiteira - Digital Balde Branco
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Área de caíva com sobressemeadura de azevém, terceiro pastejo, no Sítio São Francisco de Assis, propriedade da família Neves

SUSTENTABILIDADE

Sistema Agroflorestal

conserva áreas de caívas e aumenta produtividade leiteira

Pesquisadores da Epagri mostram aos produtores de leite de Santa Catarina que é possível melhorar os resultados da fazenda por meio dessa tecnologia 

Erick Henrique

De acor­do com arti­go téc­ni­co publi­ca­do em junho de 2020, pela Empre­sa de Pes­qui­sa Agro­pe­cuá­ria e Exten­são Rural de San­ta Cata­ri­na (Epa­gri), inti­tu­la­do “Melho­ria pro­du­ti­va de caí­vas com a intro­du­ção da gra­ma mis­si­o­nei­ra-gigan­te”, as caí­vas são sis­te­mas agro­flo­res­tais nos quais ocor­re o extra­ti­vis­mo da erva-mate nati­va, inte­gra­do à pro­du­ção ani­mal. Elas exis­tem há mais de 100 anos no Bra­sil, con­tri­buin­do para a con­ser­va­ção sig­ni­fi­ca­ti­va das áre­as de rema­nes­cen­tes da flo­res­ta de araucárias.

“Uma das prin­ci­pais moti­va­ções veio da deman­da das famí­li­as pro­pri­e­tá­ri­as de caí­vas. Ape­sar de elas uti­li­za­rem esse sis­te­ma há mais de um sécu­lo, esta­vam sofren­do mui­ta pres­são para subs­ti­tui­ção, uma vez que a lucra­ti­vi­da­de era mui­to bai­xa. A segun­da moti­va­ção foi, sem dúvi­da, o tama­nho da área que temos de caí­vas no Pla­nal­to Nor­te de San­ta Cata­ri­na, que ultra­pas­sa 100 mil hec­ta­res, e o poten­ci­al que isso sig­ni­fi­ca em maté­ria de ado­ção de tec­no­lo­gia”, expli­ca a enge­nhei­ra agrô­no­ma e pes­qui­sa­do­ra da Epa­gri Ana Lúcia Hanis­ch, uma das auto­ras do arti­go cita­do acima.

Ana Lúcia Hanisch (com o prêmio que conquistou com a pesquisa sobre o tema): “A proposta da Epagri é de melhoria das caívas na busca de conservar a vegetação nativa, por meio do uso dessas áreas sobretudo na pecuária leiteira familiar”

Segun­do ela, o ter­cei­ro aspec­to é ver a pes­qui­sa pro­por­ci­o­nan­do sis­te­mas mais sus­ten­tá­veis para a pecuá­ria, espe­ci­al­men­te a lei­tei­ra, até para miti­gar um pou­co essa impres­são erra­da e nega­ti­va que a soci­e­da­de, às vezes, tem da pro­du­ção ani­mal. Quan­to mais con­se­guir­mos ali­ar pro­du­ção ani­mal e con­ser­va­ção ambi­en­tal, melhor para os pro­du­to­res e para os consumidores.

“Tal­vez aqui cai­ba um parên­te­se: qual a dife­ren­ça entre pre­ser­va­ção e con­ser­va­ção? As pala­vras pare­cem ter o mes­mo sig­ni­fi­ca­do, mas o sen­ti­do delas é bem dife­ren­te. Con­ser­va­ção se refe­re ao uso raci­o­nal de um recur­so natu­ral, ou seja, em ado­tar um mane­jo que garan­ta a autos­sus­ten­ta­ção do recur­so explo­ra­do para as futu­ras gera­ções. Já pre­ser­va­ção apre­sen­ta um sen­ti­do mais res­tri­to, sig­ni­fi­can­do pro­te­ção inte­gral com into­ca­bi­li­da­de para evi­tar per­da de bio­di­ver­si­da­de, ou seja, não o uti­li­zar, mes­mo que raci­o­nal­men­te. Ou seja, a pro­pos­ta de melho­ria de caí­vas bus­ca con­ser­var a vege­ta­ção nati­va, mas por meio do uso des­sas áre­as”, des­ta­ca a pesquisadora.

Segun­do Ana Lúcia, os tra­ba­lhos de pes­qui­sa em caí­vas se ini­ci­a­ram em 2006 e con­ti­nu­am até hoje. São pes­qui­sas de lon­ga dura­ção, por­que envol­vem árvo­res, pas­ta­gens pere­nes e ani­mais. “Somen­te na pes­qui­sa foram envol­vi­das dire­ta­men­te 11 famí­li­as de 7 muni­cí­pi­os, com as quais desen­vol­ve­mos vári­as eta­pas dos expe­ri­men­tos. Como a Epa­gri é uma empre­sa públi­ca de pes­qui­sa e exten­são rural, então só a par­tir dos resul­ta­dos posi­ti­vos da pes­qui­sa há a ado­ção das tec­no­lo­gi­as por par­te dos exten­si­o­nis­tas que as ado­tam em dife­ren­tes pro­pri­e­da­des rurais”, obser­va ela.

Vista aérea da propriedade da família Neves, com as caívas muito bem conservadas

Plan­tas de erva-mate – Inda­ga­da a res­pei­to de como o mane­jo do reba­nho lei­tei­ro deve ser fei­to para não pre­ju­di­car a pro­du­ção de erva-mate nas áre­as de caí­va, Ana Lúcia diz que esse era o pon­to mais con­fli­tan­te no iní­cio das pes­qui­sas. Segun­do ela, há mui­ta infor­ma­ção sub­je­ti­va sobre o impac­to do gado na pro­du­ção de erva-mate e tam­bém sobre o efei­to da cor­re­ção de solo e da adu­ba­ção sobre a erva-mate nativa. 

“Com a ado­ção da tec­no­lo­gia da Epa­gri não há nenhum impac­to nega­ti­vo do gado nas plan­tas de erva-mate, por­que reco­men­da­mos o pas­te­jo rota­ti­vo de acor­do com a altu­ra da pas­ta­gem. Ou seja, o gado entra em um pique­te de tama­nho já pré-defi­ni­do (em média 100 m²/UA/dia), no momen­to em que a pas­ta­gem está com a altu­ra ide­al para pas­te­jo, e per­ma­ne­ce no pique­te ape­nas o tem­po para con­su­mir o sufi­ci­en­te, o que leva no máxi­mo 24 horas. Des­sa for­ma, enquan­to os ani­mais estão no pique­te eles não têm inte­res­se em con­su­mir nada além do pas­to e por isso não dani­fi­cam a erva-mate ou a rege­ne­ra­ção flo­res­tal”, diz.

Na ava­li­a­ção da espe­ci­a­lis­ta da Esta­ção Expe­ri­men­tal de Canoi­nhas (SC), a tec­no­lo­gia pro­mo­ve aumen­to da pro­du­ti­vi­da­de de lei­te por área nas caí­vas e na pro­pri­e­da­de em geral, aumen­to da gera­ção de ren­da; bem-estar ani­mal e feli­ci­da­de para o pro­du­tor, por ver sua área de caí­va mui­to mais pro­du­ti­va. “O aumen­to na pro­du­ti­vi­da­de é refle­xo do aumen­to da lota­ção ani­mal, que pas­sou de menos de 0,5 uni­da­de ani­mal (UA)/hectare para 2 UA/ha. Além dis­so, com a melho­ria da qua­li­da­de da pas­ta­gem, o con­su­mo é mai­or, com refle­xo na pro­du­ti­vi­da­de de lei­te, res­sal­ta Ana Lúcia.

Família Neves: Andera, Dyanndra, Odália e João Neves (da esq. para direita)

SAF e pes­qui­sas: trans­for­man­do a vida de famí­li­as pro­du­to­ras de lei­te – “No ano de 1986, meus pais, João e Odá­lia Neves, deram iní­cio à pro­du­ção lei­tei­ra no Sítio São Fran­cis­co de Assis, em Major Viei­ra (SC), com pou­cos ani­mais, sen­do todos de raças de cor­te. As vacas eram orde­nha­das manu­al­men­te em um peque­no está­bu­lo, que se man­tém em pé até hoje, para que pos­sa­mos olhar o pas­sa­do e lem­brar de onde vie­mos. A orde­nha manu­al era rea­li­za­da todas as manhãs, com bezer­ros ao pé. Tudo era mui­to tra­ba­lho­so, porém minha mãe rea­li­za­va todo tra­ba­lho com mui­to entu­si­as­mo e cari­nho”, recor­da a filha do casal de pro­du­to­res, Dyann­dra Neves. 

Além dis­so, João Neves, naque­la épo­ca, era ins­tru­tor fuma­gei­ro de uma empre­sa de taba­co da região. “Quan­do eu nas­ci, em 1990, a minha mãe, com duas filhas peque­nas, aca­bou sen­do obri­ga­da a ven­der as vacas por não ter quem fizes­se a orde­nha manu­al, pois ela não dava con­ta de orde­nhar os ani­mais e fazer os tra­tos sozi­nha. No ano seguin­te, meu pai dei­xou aque­le empre­go, e pas­sou a se dedi­car ao plan­tio de taba­co no sítio, nos­sa ati­vi­da­de prin­ci­pal, que durou cer­ca de 21 anos”, diz a jovem produtora. 

Porém, Odá­lia, sem­pre empe­nha­da e sonha­do­ra, nun­ca desis­tiu da ati­vi­da­de da pro­du­ção de lei­te. Man­te­ve algu­mas vaqui­nhas e, aos pou­cos, foi con­ven­cen­do seu espo­so de que essa pode­ria ser a ati­vi­da­de prin­ci­pal do sítio de 27 hec­ta­res. Segun­do a filha dos pro­du­to­res, a cul­tu­ra do taba­co, além de tra­ba­lho­sa, depen­dia de mui­ta mão de obra, o que, com o pas­sar dos anos, foi fican­do mais difí­cil. “Meu pai sem­pre ten­tou outras cul­tu­ras, como milho, fei­jão e soja. Mas, como nos­sa pro­pri­e­da­de é peque­na, ain­da era o taba­co que man­ti­nha a propriedade.” 

Com as duas filhas, Dyann­dra e Ande­ra, estu­dan­do em facul­da­de par­ti­cu­lar, o casal de pro­du­to­res tra­ba­lha­va de sol a sol para que elas tives­sem um futu­ro melhor. “Em 2006, tínha­mos 12 vacas na orde­nha, as ins­ta­la­ções já havi­am melho­ra­do, com orde­nha meca­ni­za­da, um está­bu­lo com piso, e os ani­mais de melhor apti­dão das raças Holan­de­sa (pre­do­mi­nan­te) e Jer­sey. E meu pai vinha focan­do na melho­ria da pro­pri­e­da­de, além de uti­li­zar a téc­ni­ca da inse­mi­na­ção arti­fi­ci­al para apri­mo­rar a gené­ti­ca dos ani­mais”, diz Dyann­dra Neves. 

Dyanndra mostra as mudas de missioneira- gigante com dois meses de plantio

Entre­tan­to, a jovem pro­du­to­ra diz que a mai­or pro­du­ção lei­tei­ra ocor­ria ape­nas nos meses de inver­no, entre maio e setem­bro. Depois, a área era des­ti­na­da à pro­du­ção de taba­co no verão, com aze­vém e aveia. Nos demais meses do ano, as vacas não tinham mui­to pas­to dis­po­ní­vel, fican­do mais em gra­mas comuns e peque­nas áre­as com milhe­to. Nes­sas con­di­ções, não havia opção para aumen­tar o reba­nho, nem a produtividade.

Foi no ano de 2006, em uma pales­tra sobre a cri­a­ção de gado lei­tei­ro a pas­to, que a dona Odá­lia conhe­ceu a pes­qui­sa­do­ra Ana Lúcia, da Epa­gri, e, a par­tir des­se dia, nas­ceu uma nova his­tó­ria para a pro­pri­e­da­de. “A pales­tra foi mui­to moti­va­do­ra e abriu nos­sa visão para novos cami­nhos para melho­rar no lei­te, sobre­tu­do na colo­ca­ção de pas­ta­gens em áre­as de caí­vas”, assi­na­la a produtora.

Dyann­dra rela­ta que, pou­co tem­po depois da ado­ção do Sis­te­ma Agro­flo­res­tal (SAF), já foi pos­sí­vel cons­ta­tar algu­mas melho­ri­as. “Des­de que come­ça­mos com o SAF, fomos con­se­guin­do novos resul­ta­dos: aumen­ta­mos o núme­ro de ani­mais, sain­do de 12 vacas com uma média de 12 litros de leite/vaca/dia, em 2006, para 31 ani­mais em lac­ta­ção com uma média de 22 litros de lei­te por ani­mal, atu­al­men­te”, conta.

“Nos­sa meta para os pró­xi­mos anos é ter 40 ani­mais em lac­ta­ção, com uma média míni­ma de 25 litros/vaca/dia. Isso era sonho mui­to dis­tan­te antes do uso do SAF em nos­sa pro­pri­e­da­de. Ago­ra já vemos cada área de ter­ra da pro­pri­e­da­de como pro­du­ti­va e con­se­gui­mos man­ter o equi­lí­brio com a natu­re­za”, res­sal­ta Dyann­dra Neves.

Família Modeski, no Sítio Fortaleza: Márcio, Tatiele Diani e Rosane

Rea­li­zan­do um sonho – É o que sig­ni­fi­ca para a famí­lia Modes­ki, do Sítio For­ta­le­za, par­ti­ci­par do pro­gra­ma da Epa­gri, tam­bém em Major Viei­ra. “Nos­sa his­tó­ria na ati­vi­da­de se ini­ci­ou há 27 anos. Logo após casar­mos, pro­je­ta­mos o aumen­to da ren­ta­bi­li­da­de e o iní­cio do rece­bi­men­to de ren­da men­sal, ten­do em vis­ta que nos­sa ren­da era anu­al. O SAF sem­pre foi um sonho, no entan­to não pas­sa­va dis­so”, infor­ma o pro­du­tor Már­cio Modeski.

Antes de ado­tar essa tec­no­lo­gia, ele e sua espo­sa, Rosa­ne, sem dis­por de área de pas­ta­gem, colo­ca­vam o gado na área de caí­vas para ape­nas repou­sar duran­te a noi­te. “Visá­va­mos a área como reflo­res­ta­men­to, rea­li­za­mos algu­mas ten­ta­ti­vas de plan­tio na área de som­bra, con­tu­do sem suces­so, pois o mane­jo não era ade­qua­do”, con­ta o produtor.

A moti­va­ção para a ado­ção do SAF no Sítio For­ta­le­za se deu duran­te a visi­ta de téc­ni­cos da Epa­gri à pro­pri­e­da­de. Eles enco­ra­ja­ram o casal a desen­vol­ver um plan­tio ade­qua­do e apos­tar no resul­ta­do. Os dois até mes­mo tinham em men­te que pode­ria dar cer­to o pro­je­to, mas com um pon­ta de receio, uma vez que já havi­am ten­ta­do ante­ri­or­men­te. Em vis­ta dis­so, entrou em cena todo o auxí­lio, incen­ti­vo, apren­di­za­do e o acom­pa­nha­men­to da Epa­gri, que é, hoje, o nor­te da famí­lia Modes­ki para alcan­çar melho­res resul­ta­dos da pro­pri­e­da­de no pla­nal­to norte-catarinense.

“O resul­ta­do foi ani­ma­dor, em menos de qua­tro meses pós-plan­tio da mis­si­o­nei­ra-gigan­te. Cons­ta­ta­mos melho­ria da sani­da­de ani­mal, aumen­to da pro­du­ção lei­tei­ra e melho­ra do esco­re cor­po­ral dos ani­mais. Cito ain­da, den­tre tan­tos pro­gres­sos, o acrés­ci­mo na ren­da finan­cei­ra e a pos­si­bi­li­da­de de ampli­ar o reba­nho”, come­mo­ra o produtor.

A famí­lia Modes­ki pro­je­ta para os pró­xi­mos anos aumen­tar a pro­du­ção lei­tei­ra, a área plan­ta­da e tam­bém inves­tir na ampli­a­ção da sala de orde­nha. O pla­no é ele­var o cres­ci­men­to, com a plan­ta­ção pere­ne em 100% da área de caí­va. “Ain­da temos desa­fi­os com a plan­ta­ção, que vamos solu­ci­o­nar com a irri­ga­ção. Man­te­mos os pés no chão, mas sonha­mos alto como no iní­cio de tudo, pois ago­ra temos um dife­ren­ci­al, que é a con­so­li­da­ção dos resul­ta­dos, por meio da prá­ti­ca que nos foi pro­por­ci­o­na­da pela Epa­gri”, fina­li­za o pro­pri­e­tá­rio do Sítio For­ta­le­za, que ain­da não con­ta­bi­li­zou, com pre­ci­são, o aumen­to da pro­du­ti­vi­da­de, uma vez que o pri­mei­ro ano de ado­ção do SAF ocor­re­rá em junho.

DICAS DA PESQUISADORA

 
• Só é pos­sí­vel melho­rar a pas­ta­gem em SAFs onde, natu­ral­men­te, haja no máxi­mo 40% de som­bra. Se a área for mais som­bre­a­da que isso, nem as pas­ta­gens sobres­se­me­a­das no inver­no, nem a mis­si­o­nei­ra-gigan­te ou outras pas­ta­gens pere­nes de alta pro­du­ti­vi­da­de con­se­gui­rão sobre­vi­ver. Ou seja, o pri­mei­ro pas­so é cami­nhar na área do SAF e sele­ci­o­nar as áre­as com menos árvo­res ou com copas meno­res, onde haja uma pene­tra­ção ade­qua­da de luz solar. Aqui nas caí­vas, como são SAFs mane­ja­dos há mais de um sécu­lo, temos uma mis­tu­ra de caí­vas “mui­to aber­tas” com pou­cas árvo­res e com 20% a 30% de som­bra, até caí­vas com o dos­sel arbó­reo com­ple­ta­men­te fecha­do (mais de 80% de som­bre­a­men­to). A tec­no­lo­gia da Epa­gri só pode ser ado­ta­da nas caí­vas aber­tas e mui­to abertas;

• Defi­nin­do-se as áre­as com menos som­bra, temos duas tec­no­lo­gi­as de melho­ria da pas­ta­gem, que podem ser ado­ta­das em dife­ren­tes SAFs: a pri­mei­ra é a sobres­se­me­a­du­ra de inver­no sobre as pas­ta­gens natu­ra­li­za­das que já exis­tem nas caí­vas e a segun­da é a implan­ta­ção da mis­si­o­nei­ra-gigan­te cv SCS 315 cata­ri­na-gigan­te subs­ti­tuin­do a pas­ta­gem naturalizada;

• A gra­ma mis­si­o­nei­ra-gigan­te não pos­sui semen­tes viá­veis, então seu plan­tio é rea­li­za­do ape­nas por mudas vege­ta­ti­vas a par­tir do mês de novem­bro. Para seu plan­tio é neces­sá­rio abrir covas, espa­ça­das a cada 50 cm;

• O que per­ce­be­mos des­de o iní­cio é que, quan­do pre­pa­rá­va­mos o solo de for­ma con­ven­ci­o­nal, tínha­mos três gran­des pro­ble­mas: as raí­zes das árvo­res; o aumen­to da com­pac­ta­ção após a ara­ção e uma explo­são do núme­ro de plan­tas inva­so­ras. Além dis­so, um agra­van­te é que, com o revol­vi­men­to, per­día­mos algo mui­to impor­tan­te, que é a maté­ria orgâ­ni­ca do solo;

• Para resol­ver esses pro­ble­mas, pas­sa­mos a não mais revol­ver o solo, mas des­se­car a pas­ta­gem natu­ra­li­za­da e, na sequên­cia, plan­tar a mis­si­o­nei­ra abrin­do ape­nas as covas a cada 50 cm. Mas a gra­ma que já esta­va lá é mui­to resis­ten­te e per­ce­be­mos que ape­nas uma des­se­ca­ção não era o sufi­ci­en­te para ven­cê-la. Foi assim que desen­vol­ve­mos a estra­té­gia de dupla des­se­ca­ção + sobres­se­me­a­du­ra antes do plan­tio da mis­si­o­nei­ra-gigan­te. E deu supercerto;

• Então, se o pro­du­tor deci­dir pelo uso da mis­si­o­nei­ra-gigan­te, que só pode ser plan­ta­da a par­tir de novem­bro, ele deve come­çar a pre­pa­rar a área em mar­ço, des­se­can­do pela pri­mei­ra vez a gra­ma. Para des­se­car deve uti­li­zar um her­bi­ci­da des­se­can­te reco­men­da­do para pas­ta­gem pere­ne. E, antes dis­so, deve fazer uma aná­li­se de solo da área para o téc­ni­co fazer a reco­men­da­ção de cor­re­ção e adu­ba­ção do solo;

• Após des­se­car, apli­ca-se 1/3 da cala­gem reco­men­da­da, em cober­tu­ra, sem incor­po­rar ao solo e se faz a sobres­se­me­a­du­ra de aze­vém e ervi­lha­ca na área. Essas pas­ta­gens cres­cem duran­te o inver­no e iní­cio da pri­ma­ve­ra e podem ser pas­te­ja­das pelo gado. Em outu­bro, com o fim do aze­vém e da ervi­lha­ca, a área deve ser des­se­ca­da nova­men­te e somen­te então pode-se come­çar a plan­tar as mudas de mis­si­o­nei­ra-gigan­te a cada 50 x 50 cm. Antes do plan­tio, apli­car mais 1/3 da reco­men­da­ção de cala­gem e adu­ba­ção. E, quan­do a mis­si­o­nei­ra-gigan­te esti­ver fechan­do a área, por vol­ta de mar­ço a abril, apli­car o 1/3 restante;

• Com a mis­si­o­nei­ra-gigan­te já esta­be­le­ci­da, pode-se come­çar a uti­li­zá-la nor­mal­men­te, com os ani­mais entran­do nos pique­tes quan­do o pas­to atin­gir 25 a 30 cm e sain­do com a altu­ra de 12 a 15 cm. Impor­tan­te: a adu­ba­ção pas­sa a ser uma roti­na de mane­jo. Reco­men­da­mos par­ce­lar a adu­ba­ção anu­al em até qua­tro vezes, tan­to adu­bos quan­to cor­re­ti­vos e sem­pre uti­li­zar algum tipo de adu­bo orgâ­ni­co em uma das apli­ca­ções. A aná­li­se de solo tam­bém deve ser par­te da roti­na, para que, ao lon­go dos pri­mei­ros anos, seja pos­sí­vel ele­var todos os nutri­en­tes ao nível alto, no solo.