Sistema de arrefecimento do motor das máquinas - Digital Balde Branco
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Cuidados indispensáveis no sistema de arrefecimento das máquinas/equipamentos motorizados (radiador obstruído pela sujeira)

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS 

Sistema de arrefecimento do motor das máquinas

Você faz a manutenção corrreta?

Esse sistema é fundamental para o bom desempenho da máquina e, por isso, são necessários alguns cuidados básicos. Veja as orientações do especialista 

João Antônio dos Santos

Na fazen­da lei­tei­ra são diver­sas as máqui­nas e os equi­pa­men­tos moto­ri­za­dos – tra­to­res, colhei­ta­dei­ras, gera­do­res, etc. – que têm sis­te­ma de arre­fe­ci­men­to do motor, que neces­si­ta de manu­ten­ção perió­di­ca para o seu bom fun­ci­o­na­men­to. Sua fun­ção é con­tro­lar a tem­pe­ra­tu­ra do motor no pon­to ide­al, nem mui­to quen­te nem mui­to frio, pois, depen­den­do da máqui­na, o motor foi pro­je­ta­do para tra­ba­lhar segun­do deter­mi­na­da tem­pe­ra­tu­ra, con­for­me expli­ca o ins­tru­tor do Senar-MG na área de Ope­ra­ção e Manu­ten­ção de Máqui­nas Agrí­co­las, Feli­pe Gabri­el Loren­zo­ni Mar­tins. Ele tam­bém é enge­nhei­ro agrí­co­la com mes­tra­do em máqui­nas e meca­ni­za­ção agrícola. 

“O pro­du­tor e/ou ope­ra­dor deve estar sem­pre cons­ci­en­te da che­ca­gem dos vári­os itens reco­men­da­dos antes do iní­cio das ope­ra­ções. E um deles, mui­to impor­tan­te e que deve ser con­fe­ri­do, é o nível do líqui­do de arre­fe­ci­men­to do motor”, aler­ta, como uma for­ma de garan­tir a dura­bi­li­da­de do motor, seu melhor desem­pe­nho (potên­cia), eco­no­mia de com­bus­tí­vel, além de redu­zir a emis­são de poluentes. 

O que se vê de erra­do no dia a dia de ope­ra­ções des­sas máqui­nas na fazen­da é que, em geral, o ope­ra­dor uti­li­za ape­nas água, sem a adi­ção de flui­dos desen­vol­vi­dos espe­ci­fi­ca­men­te para garan­tir o arre­fe­ci­men­to do motor, além de outros bene­fí­ci­os para o sis­te­ma, como evi­tar cor­ro­são e oxi­da­ção. Segun­do Mar­tins, deve-se seguir sem­pre a ori­en­ta­ção do fabri­can­te da máqui­na, que vem no manu­al de uso. O perío­do de tro­ca des­se líqui­do depen­de da indi­ca­ção do fabricante. 

Felipe Gabriel: sem os cuidados indispensáveis com o sistema de arrefecimento, compromete-se o desempenho da máquina, resultando em menos potência e menor durabilidade

No geral, a reco­men­da­ção é fazer a tro­ca do líqui­do de arre­fe­ci­men­to a cada mil horas de ope­ra­ção da máqui­na. “É neces­sá­rio dre­nar todo o líqui­do do sis­te­ma e, em segui­da, cir­cu­lar a água sob pres­são den­tro do motor, do blo­co e do radi­a­dor. Fei­ta a lim­pe­za, fecha-se o dre­no e com­ple­ta-se com água des­mi­ne­ra­li­za­da (água des­ti­la­da) e o adi­ti­vo para radi­a­dor”, ori­en­ta, acres­cen­tan­do que a fun­ção do adi­ti­vo é evi­tar cor­ro­são e oxi­da­ção inter­na do sis­te­ma, que tem vári­os com­po­nen­tes, como bom­ba d’água e vál­vu­la termostática.

Ele expli­ca que o líqui­do cir­cu­la den­tro de gale­ri­as no blo­co e cabe­ço­te do motor, que podem enfer­ru­jar e, con­se­quen­te­men­te, entu­pir o radi­a­dor. O radi­a­dor em si, por se fei­to com mate­ri­al ino­xi­dá­vel, não enfer­ru­ja. Vale des­ta­car o uso de água des­ti­la­da (des­mi­ne­ra­li­za­da), pois a água nor­mal, mes­mo lim­pa, é rica em mine­rais, o que ace­le­ra o pro­ces­so de oxi­da­ção (fer­ru­gem). Mui­tas vezes, nas fazen­das, o pes­so­al cole­ta água lím­pi­da de mina ou poço arte­si­a­no, porém ela é mui­to rica em minerais.

Quan­to à não uti­li­za­ção de adi­ti­vo ade­qua­do, isso vai pre­ju­di­car a vida útil de seus com­po­nen­tes, como a bom­ba d’água e a vál­vu­la ter­mos­tá­ti­ca, fazen­do com que a máqui­na fique fora de ope­ra­ção. Ou seja, vai se estra­gar mui­to antes, exi­gin­do sua tro­ca, pois com qua­tro, cin­co mil horas, come­çam a ocor­rer os pro­ble­mas, não com­ple­tan­do as 15 mil horas comu­men­te indi­ca­das para um tra­tor, por exemplo. 

Além des­sa fun­ção, o adi­ti­vo tem outras fun­ções secun­dá­ri­as: a pri­mei­ra é dimi­nuir o pon­to de fusão da água (de con­ge­la­men­to, em locais mui­to fri­os); a segun­da, ele­var o pon­to de ebu­li­ção da água: em vez de fer­ver aos 100oC, ela vai fer­ver aos 130–140oC.

É inte­res­san­te que vai indi­car uma tem­pe­ra­tu­ra mais alta no pai­nel, porém não esta­rá em ebu­li­ção, já que a ebu­li­ção ace­le­ra a oxi­da­ção; a ter­cei­ra é a fun­ção de lubri­fi­ca­ção dos com­po­nen­tes inter­nos do sis­te­ma de arre­fe­ci­men­to. O adi­ti­vo deve ser à base de eti­le­no­gli­col, que é o mais indicado.

Na tro­ca do líqui­do de arre­fe­ci­men­to, a pro­por­ção de mis­tu­ra da água des­ti­la­da ver­sus adi­ti­vo depen­de da indi­ca­ção do fabri­can­te do adi­ti­vo, pois uns são con­cen­tra­dos (pre­ci­sam ser diluí­dos), enquan­to outros vêm já na for­ma de solu­ção pron­ta para uso.

Drenagem mostrando o líquido de arrefecimento com sinal de oxidação (coloração do líquido)

Lim­pe­za exter­na do radi­a­dor – Outro aspec­to impor­tan­te da manu­ten­ção do sis­te­ma de arre­fe­ci­men­to do motor é a lim­pe­za exter­na da col­meia do radi­a­dor. A peri­o­di­ci­da­de depen­de das con­di­ções dela, que podem ser vis­tas facil­men­te, pelo acú­mu­lo de poei­ra, frag­men­tos de folhas, cis­cos e sujei­ras que se fixam na col­meia. Depen­den­do do tipo de ser­vi­ço, ela pode acu­mu­lar mais sujei­ras em menor tem­po, exi­gin­do então essa lim­pe­za em perío­do menor. “Esse acú­mu­lo de sujei­ras, que obs­tru­em a col­meia, impe­de a pas­sa­gem de ar, que é essen­ci­al para refri­ge­rar o líqui­do e man­ter a tem­pe­ra­tu­ra no pon­to cer­to. Con­se­quen­te­men­te, o sis­te­ma não con­se­gue redu­zir o aque­ci­men­to do motor”, aler­ta ele.

Essa lim­pe­za deve ser fei­ta com ar com­pri­mi­do no sen­ti­do con­trá­rio à entra­da do ar atra­vés da col­meia, ou seja, no inver­so do flu­xo natu­ral de entra­da do ar no sis­te­ma: o motor “puxa” para trás, para den­tro do sis­te­ma. Então, dire­ci­o­na-se o ar com­pri­mi­do de trás para fren­te, “des­pre­gan­do” as sujei­ras da col­meia. “Mui­tas vezes, a pes­soa faz essa lim­pe­za esgui­chan­do água na col­meia, o que cau­sa pro­ble­mas no sis­te­ma. O pri­mei­ro deles: se esgui­char água com mui­ta pres­são, isso vai amas­sar as ale­tas (que são mui­to frá­geis) da col­meia, e, ocor­ren­do isso, vai obs­truir a entra­da de ar”, diz ele, aler­tan­do que outro pro­ble­ma é que a poei­ra na col­meia com a água vira bar­ro que, ao secar, impe­de a pas­sa­gem do ar. E isso é mui­to comum.

Quan­do ocor­re a obs­tru­ção da pas­sa­gem do ar no sis­te­ma, a con­sequên­cia é que o motor vai supe­ra­que­cer, poden­do fun­dir. Pri­mei­ra­men­te, quei­ma a jun­ta do cabe­ço­te e, depois, fun­de o motor. Vale obser­var que, para se che­gar a essa situ­a­ção é difí­cil, a não ser que o des­lei­xo seja mui­to gran­de. Os tra­to­res têm no pai­nel o indi­ca­dor de tem­pe­ra­tu­ra do motor, que aler­ta quan­do o motor está superaquecendo.

Tampa do radiador danificada pela corrosão 

Nesta imagem, é possível notar que existem poucos pontos de luz por onde o ar pode passar

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