Sucedâneos lácteos para bezerros leiteiros - Digital Balde Branco

Suce­dâ­ne­os são pro­du­tos comer­ci­ais, nos quais os cons­ti­tuin­tes lác­te­os são subs­ti­tuí­dos par­ci­al­men­te por outros de ori­gem ani­mal ou vegetal

 A cri­a­ção de bezer­ros lei­tei­ros é uma eta­pa em que os cus­tos são ele­va­dos, com mai­or par­ti­ci­pa­ção dos gas­tos rela­ci­o­na­dos ao for­ne­ci­men­to das die­tas líqui­das (lei­te ou suce­dâ­neo). Estas con­di­ções fazem com que os ani­mais sejam mui­tas vezes cri­a­dos de for­ma ina­de­qua­da, com die­tas res­tri­tas, geran­do com­pro­me­ti­men­to no desen­vol­vi­men­to dos ani­mais. Alguns levan­ta­men­tos demons­tram que duran­te a fase de alei­ta­men­to, 70% do cus­to total com ali­men­ta­ção e mane­jo estão rela­ci­o­na­dos ao for­ne­ci­men­to de lei­te para os animais.

O lei­te é o prin­ci­pal ali­men­to e o que pos­si­bi­li­ta melho­res resul­ta­dos aos bezer­ros nos pri­mei­ros meses de vida, porém, exis­tem alter­na­ti­vas que podem ser uti­li­za­das para redu­ção dos cus­tos nes­sa fase de ali­men­ta­ção, sem pre­ju­di­car o desen­vol­vi­men­to dos mes­mos, como a uti­li­za­ção de suce­dâ­ne­os de boa qua­li­da­de. É impor­tan­te sali­en­tar que eles não pos­su­em a fun­ção de subs­ti­tui­ção do colos­tro, ali­men­to de suma impor­tân­cia para garan­tir o nível ade­qua­do de imu­ni­da­de para os ani­mais nas pri­mei­ras horas de vida.

A uti­li­za­ção de suce­dâ­ne­os no Bra­sil ain­da pos­sui gran­de opor­tu­ni­da­de de mer­ca­do e já exis­tem bons pro­du­tos no mer­ca­do naci­o­nal. Mas, ain­da são encon­tra­dos tra­ba­lhos naci­o­nais que rela­tam pro­du­tos que aumen­ta­ram as taxas de mor­ta­li­da­de e de diar­reia dos ani­mais, pro­va­vel­men­te rela­ci­o­na­das à pre­sen­ça de ingre­di­en­tes con­ten­do fato­res anti-nutricionais.

Porém, esses resul­ta­dos devem ser ava­li­a­dos com cau­te­la, pois exis­tem vári­os fato­res que podem jus­ti­fi­cá-los, como a quan­ti­da­de de pro­du­to for­ne­ci­do e o tipo de mane­jo ado­ta­do. Sen­do assim, na hora de esco­lher um suce­dâ­neo, a com­po­si­ção e a cons­ti­tui­ção dos pro­du­tos devem ser ava­li­a­das, bem como o tipo de mane­jo que será ado­ta­do, bus­can­do sem­pre os melho­res pro­du­tos dis­po­ni­bi­li­za­dos no mercado.

Os suce­dâ­ne­os do lei­te podem ser uma alter­na­ti­va de subs­ti­tu­to do lei­te, ten­do em vis­ta o seu alto poder de comer­ci­a­li­za­ção, poden­do ser incor­po­ra­do à die­ta de bezer­ros, des­de que o mes­mo seja com­pos­to por fon­tes nutri­ci­o­nais de exce­len­te qualidade.

No Bra­sil, a bai­xa uti­li­za­ção de suce­dâ­ne­os pode ser expli­ca­da por vári­os fato­res, sen­do a for­mu­la­ção nutri­ci­o­nal a bar­rei­ra pri­mor­di­al. Os pri­mei­ros pro­du­tos dis­po­ní­veis no mer­ca­do eram de bai­xa qua­li­da­de, não apre­sen­ta­vam for­mu­la­ção ade­qua­da em ter­mos de fon­te pro­tei­ca e energética.

Sen­do que alguns suce­dâ­ne­os apre­sen­ta­vam fon­te pro­tei­ca de bai­xa qua­li­da­de, geral­men­te à base de soja, sem pro­ces­sa­men­to para redu­ção de fato­res anti­nu­tri­ci­o­nais e aumen­to da diges­ti­bi­li­da­de, resul­tan­do em redu­ção no desem­pe­nho e aumen­to das taxas de mor­ta­li­da­de. Outros pro­ble­mas comu­men­te encon­tra­dos, e que até hoje podem ser obser­va­dos, é a uti­li­za­ção de ingre­di­en­tes com bai­xa solu­bi­li­da­de em alguns suce­dâ­ne­os naci­o­nais, resul­tan­do em uma difí­cil dilui­ção do produto.

Segun­do o NRC (2001) é reco­men­da­do que suce­dâ­ne­os lác­te­os para bezer­ros con­te­nham no míni­mo 20% de pro­teí­na bru­ta (PB). É impor­tan­te enten­der que as fon­tes pro­tei­cas uti­li­za­das na for­mu­la­ção des­ses pro­du­tos são clas­si­fi­ca­das como lác­te­as e não-lác­te­as e os fato­res crí­ti­cos que afe­tam a uti­li­za­ção des­sas fon­tes pelos bezer­ros inclu­em a diges­ti­bi­li­da­de, balan­ço de ami­noá­ci­dos e a pre­sen­ça de fato­res antinutricionais.

Quan­do os pro­du­tos apre­sen­tam exces­so de ami­do e fibra, bai­xa qua­li­da­de e ina­de­qua­da incor­po­ra­ção das gor­du­ras e fon­tes pro­tei­cas de bai­xo apro­vei­ta­men­to ou que pos­sam pro­vo­car trans­tor­nos diges­ti­vos e pro­ble­mas podem ser veri­fi­ca­dos nos ani­mais, como aumen­to de diar­reia e bai­xo desempenho.

O méto­do de incor­po­ra­ção da gor­du­ra nos suce­dâ­ne­os é o prin­ci­pal fator que afe­ta a diges­ti­bi­li­da­de dos lipí­di­os e uma ade­qua­da dis­per­são da gor­du­ra é essen­ci­al para sua solu­bi­li­za­ção em água e con­se­quen­te­men­te na sua diges­tão. Os suce­dâ­ne­os lác­te­os geral­men­te con­têm de 10 a 20% de gor­du­ra, ou seja, nível abai­xo do encon­tra­do no lei­te inte­gral, que tem em média 28%. Os suce­dâ­ne­os ame­ri­ca­nos são geral­men­te for­mu­la­dos com 20% de gor­du­ra, sen­do que aque­les que não alcan­çam esses níveis não são mais comercializados.

Algu­mas opções para aumen­tar o nível de gor­du­ra no suce­dâ­neo lác­teo podem ser uti­li­za­das, incluin­do o sebo, uma gor­du­ra rela­ti­va­men­te pou­co apro­vei­ta­da pelo ani­mal, em razão da pre­sen­ça de áci­dos gra­xos satu­ra­dos, sen­do estes de menor diges­ti­bi­li­da­de. A uti­li­za­ção da gor­du­ra vege­tal em subs­ti­tui­ção à gor­du­ra ani­mal na for­mu­la­ção de suce­dâ­ne­os lác­te­os tam­bém pode ser uma fon­te de gor­du­ra alter­na­ti­va efi­ci­en­te na com­po­si­ção de suce­dâ­ne­os lác­te­os e resul­ta­dos satis­fa­tó­ri­os tam­bém foram obti­dos com o uso exclu­si­vo de óle­os vege­tais, como o da pal­ma e do coco. Entre­tan­to, os óle­os vege­tais apre­sen­tam cus­to mai­or que a gor­du­ra ani­mal e devem ser evi­ta­dos os óle­os vege­tais alta­men­te insa­tu­ra­dos como os pre­sen­tes no óleo de soja, óleo de milho e óleo de girassol.

Mes­mo que a uti­li­za­ção do lei­te seja uma exce­len­te opção para for­ne­ci­men­to de nutri­en­tes de alta qua­li­da­de para os bezer­ros, esse ali­men­to pos­sui mai­or cus­to que os suce­dâ­ne­os e seus nutri­en­tes podem vari­ar em fun­ção do está­gio de lac­ta­ção, da nutri­ção, da flu­tu­a­ção de sóli­dos totais (ST) no uso do lei­te de des­car­te, entre outros fato­res. Uma estra­té­gia que pode con­tor­nar em par­te esses pro­ble­mas seria a adi­ção de deter­mi­na­da quan­ti­da­de de suce­dâ­neo em pó, aumen­tan­do os ST da die­ta líqui­da, sem aumen­tar o volu­me de lei­te ofe­re­ci­do aos bezerros.

A uti­li­za­ção de bons suce­dâ­ne­os lác­te­os em die­ta de bezer­ros lei­tei­ros pode ser uma alter­na­ti­va para redu­ção dos cus­tos com esta fase de cria, sem con­tan­to com­pro­me­ter o desem­pe­nho dos ani­mais. Duran­te a esco­lha de qual pro­du­to a ser uti­li­za­do, é mui­to impor­tan­te levar em con­si­de­ra­ção a com­po­si­ção nutri­ci­o­nal do mes­mo, levan­do em con­si­de­ra­ção o apro­vei­ta­men­to dos nutri­en­tes pelos ani­mais, prin­ci­pal­men­te quan­to a fra­ção lipí­di­ca e pro­tei­ca cons­ti­tuin­te dos subs­ti­tu­tos ado­ta­dos. A opção de aden­sar o for­ne­ci­men­to de lei­te, incluin­do bons suce­dâ­ne­os a die­ta líqui­da, pode ser uma alter­na­ti­va inte­res­san­te para favo­re­cer o desem­pe­nho e o desen­vol­vi­men­to dos bezerros.

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Por Rafa­el Aze­ve­do, zoo­tec­nis­ta, mes­tre em Ciên­ci­as Agrá­ri­as, dou­tor em Zoo­tec­nia e geren­te de Pro­du­tos da Alta

 

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