Tamponantes no tratamento da Acidose Ruminal - Digital Balde Branco

Adi­ti­vos tam­po­nan­tes têm sido uti­li­za­dos na inten­ção de esta­bi­li­zar o ambi­en­te rumi­nal evi­tan­do que­das abrup­tas no pH

Por Ange­lo Boarini

Em tem­pos de cus­tos de pro­du­ção ani­mal cada vez mais altos, mui­tas vezes o pro­du­tor bus­ca tec­no­lo­gi­as mais ela­bo­ra­das para ade­qua­ção de seu reba­nho em bus­ca de melhor: quan­ti­da­de, qua­li­da­de e pre­ços de sua pro­du­ção. Sem dúvi­da, a nutri­ção é o mai­or dos cus­tos em qual­quer ati­vi­da­de pecuá­ria lei­tei­ra ou cor­te. E a vari­a­ção de insu­mos e ingre­di­en­tes uti­li­za­dos é sem­pre uma cons­tan­te na bus­ca da mai­or pro­du­ção com o menor custo.

Nes­se con­tex­to, a Aci­do­se Rumi­nal Sub­clí­ni­ca (ARS) tra­duz-se em um dos mai­o­res desa­fi­os dos reba­nhos de alta pro­du­ção que con­so­mem die­tas de alto teor de car­boi­dra­tos não fibro­sos (grãos e cere­ais) como fon­tes ener­gé­ti­cas e, por mui­tas vezes, pas­sa des­per­ce­bi­da em fun­ção da ausên­cia de sinais clí­ni­cos. Toda­via, o qua­dro pode evo­luir para Aci­do­se Rumi­nal Agu­da, ten­do como con­sequên­ci­as: tim­pa­nis­mos, lami­ni­tes e abs­ces­sos de fíga­do, os quais podem levar os ani­mais a mor­te em casos mais severos.

A ARS é uma doen­ça asso­ci­a­da ao reba­nho e não ao indi­ví­duo, seus sin­to­mas são pra­ti­ca­men­te imper­cep­tí­veis, mas suas con­sequên­ci­as repre­sen­tam gran­des pre­juí­zos em toda cadeia de pro­du­ção. Esti­ma-se que a ARS pode aco­me­ter 20% dos reba­nhos comer­ci­ais cau­san­do um pre­juí­zo de até U$ 1,12 por animal/dia em que­da de pro­du­ção. A mini­mi­za­ção des­sas per­das pas­sa por con­tro­les na ali­men­ta­ção dos ani­mais, na esco­lha dos ingre­di­en­tes e uti­li­za­ção de insu­mos visan­do um melhor ambi­en­te rumi­nal, assim como por prá­ti­cas de mane­jo como a adap­ta­ção ali­men­tar dos ani­mais que podem ser rea­li­za­das de vári­as formas.

O ambi­en­te rumi­nal é com­pos­to por micror­ga­nis­mos que rea­li­zam a fer­men­ta­ção dos car­boi­dra­tos pre­sen­tes nos ali­men­tos. Qual­quer alte­ra­ção des­te meio, prin­ci­pal­men­te às osci­la­ções do pH podem levar a um dese­qui­lí­brio na flo­ra levan­do à ARS. O líqui­do rumi­nal apre­sen­ta um pH fisi­o­ló­gi­co entre 6,0 e 7,0, que é influ­en­ci­a­do dire­ta­men­te pela pro­por­ção concentrado/volumoso da die­ta que o ani­mal recebe.

Adi­ti­vos tam­po­nan­tes têm sido uti­li­za­dos na inten­ção de esta­bi­li­zar o ambi­en­te rumi­nal evi­tan­do que­das abru­tas no pH. Atu­al­men­te os tam­pões mais uti­li­za­dos no Bra­sil são o bicar­bo­na­to de sódio, car­bo­na­to de cál­cio, óxi­do de mag­né­sio e a ben­to­ni­ta e têm sido de uti­li­da­de na adap­ta­ção a die­tas com altos teo­res de grãos.

Estu­dos recen­tes rea­li­za­dos na USP Piras­su­nun­ga pelo Prof. Dr. Ives Bue­no, Pro­fes­sor de Nutri­ção de Rumi­nan­tes — Depar­ta­men­to de Zoo­tec­nia, em par­ce­ria com a empre­sa Pri­ma­Sea mos­tram que, o Lithotham­nium sp, um com­ple­xo bio­mi­ne­ral orgâ­ni­co oriun­do de sedi­men­tos bio­clás­ti­cos mari­nhos, vem ao encon­tro dos ansei­os da pro­du­ção pecuá­ria, pois é capaz de modu­lar o pH rumi­nal entre 5,8 e 6,2 man­ten­do o ambi­en­te rumi­nal pro­pi­cio à micro­flo­ra capaz de pro­mo­ver a degra­da­ção das fibras e pro­du­zir os Áci­dos Gra­xos Volá­teis (AVGs) com a carac­te­rís­ti­ca de não con­tri­buir para o aumen­to da osmo­la­ri­da­de do meio, com menor pro­du­ção de gases e melhor apro­vei­ta­men­to da fibra.

Uti­li­za­do na Euro­pa há cer­ca de 200 anos, com jazi­das ati­vas na cos­ta bra­si­lei­ra e regis­tra­do no IBD (Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Bio­di­nâ­mi­ca) como pro­du­to natu­ral para pro­du­ção orgâ­ni­ca, é uma rea­li­da­de para a agro­pe­cuá­ria moder­na e de precisão.

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Ange­lo Boa­ri­ni, Médi­co vete­ri­ná­rio da Pri­ma­Sea e espe­ci­a­lis­ta em Pro­du­ção Ani­mal Ruminantes 

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