Uma direção para o setor lácteo - Digital Balde Branco

Encon­tro pro­mo­vi­do pela CNA reu­niu pes­qui­sa­do­res e espe­ci­a­lis­tas para cons­truir uma agen­da estra­té­gi­ca que tor­ne a ati­vi­da­de mais competitiva

Ape­sar do poten­ci­al da cadeia lei­tei­ra do Bra­sil, uma série de pro­ble­mas recor­ren­tes impe­de o setor de des­lan­char. Os entra­ves já são conhe­ci­dos: bai­xa pro­du­ti­vi­da­de, cus­to de pro­du­ção alto, infra­es­tru­tu­ra defi­ci­en­te etc. O desa­fio é pen­sar em solu­ções de médio e lon­go pra­zo. Esta foi a pro­pos­ta do Workshop Lei­te Futu­ro – Agen­da Posi­ti­va para o Setor Lác­teo, orga­ni­za­do pela Comis­são Naci­o­nal de Pecuá­ria de Lei­te da CNA-Con­fe­de­ra­ção da Agri­cul­tu­ra e Pecuá­ria do Bra­sil, nos dias 16 e 17 de outu­bro, em Brasília.

Divi­di­do em três módu­los, o even­to reu­niu pes­qui­sa­do­res, pro­du­to­res e espe­ci­a­lis­tas do setor para deba­ter as deman­das da cadeia pro­du­ti­va, como com­pe­ti­ti­vi­da­de do lei­te bra­si­lei­ro no mer­ca­do inter­na­ci­o­nal, polí­ti­cas públi­cas e desa­fi­os para a expan­são do con­su­mo, entre outros. Segun­do o pre­si­den­te da Comis­são, Rodri­go Alvim, a ideia foi rede­fi­nir os temas e as ações a serem tra­ba­lha­dos nos pró­xi­mos anos. “O obje­ti­vo é deba­ter quais ati­tu­des pre­ci­sa­mos tomar para defen­der o nos­so pro­du­tor e toda a cadeia”.

O CEO da Agri­point, Mar­ce­lo Perei­ra de Car­va­lho, foi um dos pales­tran­tes do encon­tro. Ele apre­sen­tou a evo­lu­ção da pro­du­ção de lei­te no Bra­sil e tam­bém abor­dou os desa­fi­os e as opor­tu­ni­da­des para a expan­são do con­su­mo. Na opi­nião de Car­va­lho, uma com­bi­na­ção de fato­res, incluin­do medi­das de pro­te­ção, aumen­to da ren­da e con­jun­tu­ra exter­na, tem favo­re­ci­do o cres­ci­men­to da pro­du­ção brasileira.

De 2000 a 2013, o con­su­mo médio por habi­tan­te teve um aumen­to de 43%, sal­tan­do de 122 kg para 175 kg. No mer­ca­do total, o cres­ci­men­to foi ain­da mai­or, entre 2000 e 2015: 68% ou mais 14,3 bilhões de litros. O con­su­mo per capi­ta regis­trou uma peque­na que­da nos dois últi­mos anos – a média atu­al é de 171 kg –, o que tam­bém puxou a pro­du­ção para bai­xo. Mas 2017 já vem apre­sen­tan­do recu­pe­ra­ção e este indi­ca­ti­vo subiu 4,3% no pri­mei­ro semes­tre, em com­pa­ra­ção com o ano passado.

Para Car­va­lho, o dile­ma é que ao mes­mo tem­po em que se cria uma con­di­ção favo­rá­vel para a expan­são da pro­du­ção e a incor­po­ra­ção de tec­no­lo­gia, a dis­tân­cia do mer­ca­do inter¬nacional fica mai­or. “A estra­té­gia de cres­ci­men­to base­a­da em pro­te­ção de mer­ca­do e depen­dên­cia da ren­da não é sus­ten­tá­vel”. E a inser­ção em outros paí­ses não é uma esco­lha, mas, sim, uma neces­si­da­de, e gera impli­ca­ções. “No mer­ca­do exter­no a com­pe­ti­ção é mai­or, inclu­si­ve com gen­te mui­to mais estru­tu­ra­da do que nós”.

Outro aspec­to que pre­ci­sa melho­rar é a rela­ção indús­tria-pro­du­tor. “Hoje, exis­te uma rela­ção que é de mui­to opor­tu­nis­mo e con­fli­to. Há uma des­con­fi­an­ça em rela­ção a que car­tas cada um está jogan­do, e com isso você gera uma série de pro­ble­mas como cus­to de tran­sa­ção ele­va­do, difi­cul­da­de de pla­ne­jar direi­to o suple­men­to de lei­te e a sua ofer­ta”, analisa.

Pales­tran­te no even­to tam­bém, o che­fe geral da Embra­pa Gado de Lei­te, Pau­lo do Car­mo Mar­tins, con­cor­da. “Exis­te bai­xa cir­cu­la­ção de infor­ma­ção con­fiá­vel na cadeia para a toma­da de deci­sões e opor­tu­nis­mo na rela­ção pro­du­tor-indús­tria, com visão de cur­to pra­zo, o que faz com que sem­pre haja con­fli­tos e pou­co nível de con­fi­an­ça entre ambos”, critica.

 

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Leia a ínte­gra des­ta maté­ria na edi­ção Bal­de Bran­co 637, de novem­bro 2017

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